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O EVENTO

Resiliência e Sustentabilidade na Gestão de Operações e Projetos

O cenário empresarial contemporâneo transformou a volatilidade no novo normal. Crises climáticas, rupturas em cadeias de suprimentos globais, flutuações econômicas severas e transições tecnológicas aceleradas deixaram de ser eventos raros para se tornarem constantes. Nesse ambiente de turbulência, a gestão de operações e projetos enfrentam um duplo desafio imperativo: construir sistemas que resistam a choques imediatos (resiliência) e garantir que essa sobrevivência não comprometa o futuro do planeta e da própria organização (sustentabilidade). 

Historicamente, a eficiência máxima — impulsionada por filosofias como o Lean e o Just-in-Time — era o Santo Graal das operações. Reduzir estoques e centralizar fornecedores para cortar custos ao centavo funcionava bem em tempos de calmaria. Contudo, em tempos de turbulência, a rigidez dessa eficiência máxima revelou-se uma armadilha. Quando um único elo quebra, toda a engrenagem para. 

Engana-se quem pensa que resiliência e sustentabilidade são metas conflitantes. Na verdade, em momentos de crise, elas se retroalimentam. A resiliência exige flexibilidade e diversificação (múltiplos fornecedores, estoques estratégicos). A sustentabilidade garante que essa redundância seja otimizada por meio da economia circular, onde subprodutos e logística reversa minimizam a necessidade de recursos virgens. Consumir menos energia e água e gerar menos resíduos reduz a dependência de redes de abastecimento externas, tornando o trabalho mais autônomo e protegido contra oscilações de preços e escassez de insumos. 

Os pilares para operações e projetos resilientes e sustentáveis passam pela digitalização envolvendo IoT e inteligência artificial, e permite prever gargalos, antes que eles paralisem as atividades produtivas. Saber exatamente de onde vêm os insumos garante a conformidade socioambiental e acelera a resposta a imprevistos. É importante também conseguir a flexibilidade de processos, ou seja, a capacidade de converter operações e projetos rapidamente para atender a novas demandas. O terceiro pilar é a cultura humana adaptativa, pois nenhuma tecnologia substitui a capacidade humana de colaborar e inovar sob pressão. Operações e projetos resilientes investem na segurança psicológica, no bem-estar e no treinamento contínuo de suas equipes, criando uma força de trabalho ágil e engajada. 

O sucesso de uma operação não é mais medido apenas pela sua capacidade de produzir pelo menor custo em condições ideais, mas sim pela velocidade com que ela se recupera, se adapta e se regenera diante do inesperado. 

Gerenciar operações e projetos em tempos de turbulência exige abandonar a visão de curto prazo. A resiliência protege o presente, já a sustentabilidade garante o futuro. Ao fundir esses dois conceitos, a gestão de operações deixa de ser apenas uma área tática de execução e assume seu papel mais vital: o de motor de longevidade, responsabilidade e valor estratégico para toda a sociedade.

GOOP 2026

Comissão Organizadora:

José Márcio Carvalho – Presidente (UnB/FACE/ADM) 

Vanessa Cabral – Coordenadora de Operações (UnB/FACE/ADM) 

Jorge Luis Triana Riveros – Coordenador Científico  

Silvia Araújo dos Reis – Comissão Científica (UnB/FACE/ADM)

Artur Guerra Rosa – Comissão Científica (UnB/FACE/ADM)


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